Pesquisa mostra ligação positiva entre participação feminina no trabalho e desempenho econômico de um país

Women in Work Index registra que entre países da OCDE o gap salarial entre gêneros diminuiu de 14%, em 2022, para 13,1%, em 2023; degrau no Brasil é maior.

middle-aged-hispanic-business-personPesquisa revela redução do gap salarial entre homens e mulheres. (Foto: Freepik)

A participação feminina no mercado de trabalho tem uma influência positiva para o crescimento da produtividade e do PIB de um país. A constatação é da pesquisa Women in Work Index 2025, da PwC. A edição deste ano, por exemplo, indica que é possível observar uma redução do gap salarial entre homens e mulheres. O estudo revela, também, um aumento anual de US$ 0,19 no PIB por hora trabalhada - que se traduz, por ano, em um aumento médio do PIB de US$ 4,5 bilhões por país.

Há 12 anos, o Women in Work Index avalia o progresso feito para alcançar a igualdade de gênero no trabalho em 33 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Neste ano, o estudo aprofunda a análise sobre o impacto da igualdade de gênero na produtividade e no crescimento econômico dos países. A análise busca aproveitar a pesquisa existente, de que a igualdade de gênero tem uma influência positiva no crescimento econômico, quantificando o impacto das taxas de participação feminina na produtividade – oferecendo uma compreensão mais abrangente de suas implicações econômicas.

“Com este estudo, nós vimos que o gap salarial diminuiu de 14%, em 2022, para 13,1%, em 2023. Apesar de ser um avanço pequeno, já é um avanço”, observa Lia Fonseca, sócia e líder da dimensão de gênero na PwC Brasil. A executiva explica que apesar desta pesquisa ter como foco particular os países integrantes do OCDE, é possível fazer o paralelo com a realidade brasileira.

“Quando comparamos o relatório de transparência salarial, emitido pelo governo federal em setembro de 2024, observamos que aqui, as mulheres recebem 20,7% a menos que homens”, destaca Lia Fonseca. O Brasil e demais países do G20 têm como meta a redução da disparidade de participação entre homens e mulheres na força de trabalho em 25% até 2025. “Economicamente, é benéfico ter mulheres (e diversidade) na liderança. Se a meta for alcançada, o aumento do PIB pode chegar a 3,3%, o que no Brasil representaria R$ 383 bilhões”, completa a sócia da PwC.

De acordo com a pesquisa Women in Work Index 2025, se o progresso em direção à plena igualdade de gênero no local de trabalho continuar no mesmo ritmo, nos próximos cinco anos os ganhos totais de produtividade até 2030 poderiam chegar a US$ 31,6 bilhões, em média, para países da OCDE. Uma estimativa do Fórum Econômico Mundial, porém, mostra que vão levar 134 anos para se alcançar equidade salarial.

Para esse levantamento, a PwC analisou a disparidade salarial de gênero a partir da diferença nas médias de rendimentos entre mulheres e homens, sem levar em conta outras características determinantes para o salário, como níveis de qualificação, setor e grau ocupacional. Nessa análise, foram contabilizados nove fatores determinantes de pagamento além do gênero. O resultado: em média, para cada libra ganha por um homem no Reino Unido, por exemplo, uma mulher com as mesmas qualificações e histórico pessoal e profissional ganha, em média, 90 centavos.

“Os resultados virão a longo prazo, para isso é preciso medidas do governo e de empresas privadas. Investimento em educação, em especial de mulheres quando elas estão começando na jornada profissional. Entender a importância da independência financeira. Ao mesmo tempo, organizações devem promover políticas de diversidade e inclusão”, completa Lia Fonseca.

Ao olhar com mais atenção para o contexto do Brasil, a sócia da PwC Brasil mostra otimismo. “Nem todos os países têm uma lei de equidade salarial. Há um problema cultural, não só do Brasil. É um processo. Estamos começando, mas essa lei existir no país é lucro”, avalia.

Sinais positivos

O levantamento da PwC aponta ainda que nos últimos 12 anos, houve melhorias evidentes em todos os cinco indicadores do índice da pesquisa - taxa de participação feminina, diferença na taxa de participação, taxa de desemprego feminino, taxa de emprego em tempo integral feminino e diferença salarial de gênero - ao considerar a média dos países da OCDE avaliados. Segundo o Women In Work Index, mais mulheres têm entrado e permanecido no mercado de trabalho nesses territórios, além de receber remuneração mais justa, o que contribui para uma força de trabalho mais equitativa e inclusiva.

A Islândia ocupa o primeiro lugar no índice, seguida por Nova Zelândia e Luxemburgo. Os cinco primeiros países permanecem os mesmos de 2022, embora a ordem em que se classificam tenha mudado. Chile, Coreia do Sul e México ficaram na parte inferior do levantamento. Apesar de serem os últimos, os três melhoraram seu valor geral do índice.

A Irlanda teve o maior progresso identificado desde a última edição, em todos os indicadores, registrando a maior melhoria anual na OCDE - subiu do 12º lugar em 2022 para o 6º lugar em 2023, com uma notável diminuição da diferença salarial de 6,7% para 3,7% em 2023.